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Freguesia situada ao longo da estrada Régua - Marco de Canaveses, a 6 Km da Sede de Concelho de Mesão Frio no Distrito de Vila Real. É um extinto concelho, causa das Reformas Administrativas.

 

Origem de Barqueiros

 

Teve origem no mester dos seus habitantes, ofício que neste caso tinha o duplo significado de governar e de construir os próprios barcos, denominados que foram de Rabelos devido à configuração de rabo dado ao leme, este nome bizarro nome de "espadela" ou "esparrela".

Barqueiros era lugar de paragem obrigatória de todos os Rabelos para aqui ser verificada a graduação do vinho neles transportado, colhendo-se uma pequena amostra em cada pipa.

Todo o Barco Rabelo que descesse o Rio sem parar no posto do Bernardo, sujeitava-se a ver a sua vela furada com uma bala disparada pela Guarda Fiscal aquartelada naquele posto, como o atesta o seu antigo comandante, o 1º Cabo António Soares, testemunha ainda viva, e muito lúcida, dessa longínqua época, apesar dos seus 102 anos que tem de vida, feitos no dia 09 de Julho de 1996.

 

Historial

 

Foi dado foral, a este extinto concelho , por D. Sancho II, em Coimbra aos 13 de Setembro de 1223.

Mais tarde, novo foral a este ex-concelho por D. Manuel II, a 22 de Outubro de 1513.

Extinto, como concelho em 1836, pela Reforma Administrativa.

 

As principais ocupações

 

- A Vitivinicultura é a tónica dominante como não podia deixar ser, a par da agricultura, sendo também de realçar outras actividades tais como:

- Funcionário da C. P. ;

- Trabalhadores da Construção Civil;

- Funcionários da Associação de Apoio à Crianças, Jovens e Idosos de Barqueiros (A.J.C.I.B.), com as seguintes valências: Centro de Dia, ATL, Cantina, e Apoio Domiciliário a Idosos, e Centro de Reinserção Social.

-. Nesta localidade existem ainda algumas profissões que se encontram em vias de extinção: Alfaiate, Artesão de barcos Rabelos e Rendas.

 

Monumentos Civis e Religiosos

 
- Igreja Paroquial (1855) é um templo majestoso e amplo, embora existam na freguesia veneranos padronos, aos quais são efectuados, aos quais são efectuadas, as respectivas festividades religiosas:

-Capela da Senhora da Conceição, em se realiza uma festa a 8 de Dezembro, sendo esta a padroeira da aldeia;

-Nicho abrigando imagem de culto de Nossa Senhora da Boa Viagem (virada ao rio como padroeiro dos mareantes, que valorizarão o vinho e a sua terra – “Os Barqueiros”, arrojados, divertidos e corajosos na arte de navegar o antigo Douro)

- Existe ainda, num dos largos sobranceiros a uma casa, carranca em pedra, normalmente conhecida por Macaca em pedra., normalmente conhecida por macaca do pelourinho (supõe-se tratar-se do largo onde se encontrou um Pelourinho, que segundo os de Barqueiros,o que se encontra em Mesão Frio é por “eles roubado”).

Em tempos e já submerso pelas águas da albufeira das barragens encontram-se os vestígios da ponte Romana do Piar ou Pilar.Não é de grande riqueza arquitectónica a casa na Quinta da Vista Alegre, mas se embeleza enigmaticamente, devido à sua óptima situação geográfica.

 

Figuras Ilustres

 

José Júlio de Oliveira Pinto (Conselheiro)

Ilustre Conselheiro, distinto jurisconsulto, grande orador, jornalista e polemista vigoroso. Morreu em 1867, em Lisboa, num duelo com Miguel de Sá Nogueira, que era sobrinho do Marquês  de Sá  da Bandeira, Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo (1795 – 1876), que se sentiu ofendido por um dos seus discursos.

 

Evaristo Ramalho (Escritor)

Nasceu em 1862, e faleceu no ano de 1949.

Foi escritor e também jornalista. Algumas das suas obras foram: o romance “Dom Tarouco” (é porventura, a sua obra literária mais conhecida, publicada em 1893), “Histórias da Montanha” e os contos “A Cheia”, “Barco Perdido”; nas revistas escreveu “O Ocidente” (1888) e “Revista Moderna” (1895).

Foi admitido com o seu irmão na Santa Casa da Misericórdia de Mesão Frio em 04/10/1902, para logo no ano seguinte ter sido eleito para escrivão da Mesa Administrativa desta instituição. Em 1911 o seu nome aparece como provedor da mesma instituição.

 
António Ramalho (Pintor)
Irmão de Evaristo Ramalho, celebrizou-se na pintura artística. A sua obra mais conhecida foi o quadro “Lanterneiro”, quando ainda era muito novo, mas, que, não obstante, lhe valeu ter sido comparado ao famoso pintor Fortuny ao expor em Paris este seu trabalho.
 

Domingos Monteiro (Escritor, Novelista)

Nasceu a 06/01/1903 e faleceu em Lisboa, em 17/08/1980.

Iniciou a sua carreira literária aos 16 anos de idade com o livro de poemas “Orações do Crepúslo”. Na novelística destacam-se as obras “Os Filhos da Noite e “A Mais Linda Mulher de Espanha”. Como ficcionista  publicou “O Primeiro Crime de Simão Bolanda”, a “A Traição Inversímil”, adaptada ao cinema , “ Bases da Organização Política dos Regimes Democráticos” e “Crise do Idealismo na Arte e na Vida Social” foram algumas das obras deste ilustre filho de Barqueiros que foi traduzido em várias línguas.

Licenciou-se em Direito com alta classificação, tendo sido colega universitário e amigo íntimo do Prof. Marcelo Caetano, e exerceu na capital portuguesa, durante muitos anos, a advocacia. Notabilizou-se na defesa das liberdades cívicas e como contista, novelista e poeta.

Fundador do Partido da Renovação Democrática.

 

Mário Monteiro (Médico)

Nasceu a 11/04/1905, no Rio de Janeiro, que, tendo Também vivido a maior parte dos anos em Lisboa e aqui ocorrido o seu pensamento, (em 31/03/1989), quis vir repousar no cemitério de Mesão Frio.

 

José Bonifácio da Costa (Jurisconsulto)

Faleceu em 01/02/1988, na cidade do Porto. Exerceu advocacia, após ter sido aposentado compulsivamente como juiz do Tribunal Civil na cidade do Porto, por ter assistido no Coliseu da mesma cidade, em Maio de 1958, a uma sessão de propaganda da candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República, tendo estado ao lado deste candidato, não só nesta apoteótica manifestação de apoio da população nortenha, como na de Outubro daquele ano.

Em 1975, e por despacho do Ministro da Justiça, veio no entanto a ser reintegrado no quadro de magistrados e promovido a juiz-desembregador.

A ele ficou-se a dever-se a fundação de associação Regional de Mesão Frio e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mesão Frio (1938). 

 

António Guedes Vieira (Empresário)

Graças ao seu espírito dinâmico e à sua escola de Condução que, por, sinal, é das mais antigas do País. Desta escola houve, uma filial na Vila de Mesão Frio, cuja a inauguração teve lugar com grande luzimento no ano de 1968.

 

Ranchos Folclóricos

 

Rancho da Casa do Povo

Fundado em 1935 pelo saber, entusiasmo e bairrismo da filha adoptiva de Barqueiros, D. Maria da Silva Paiva.

 

Rancho de Barqueiros do Douro

Fundado no ano de 1977.

Discórdia Dos Habitantes de Barqueios

O Rancho da Casa do Povo ganhou o primeiro prémio num festival de folclore, realizado em Lisboa no mês de Julho de 1937, cujo o galardão foi um “Cacho Dourado” que este agrupamento passou a ostentar orgulhosamente em todas as suas actuações no País e no estrangeiro. Infelizmente, este troféu viria a tornar-se num ponto de discórdia dos habitantes de Barqueiros, divididos entre este grupo e o similar entretanto criado com a designação de “Rancho de Barqueiros do Douro”, cada qual reclamando para si a maior autenticidade folclórica com o consequente direito à posse do “Cacho Dourado".

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